Cont. Capítulo 1
Agora começando
em definitivo.
Era uma tarde
gelada e fria. Todos estavam dentro das suas casas. Helena treinava leitura com
sua mãe na sala de estar. Uma sala meio rústica e até mesmo sofisticada para a
época. Todos os móveis foram feitos por Bernardo e seu pai, muitos anos antes,
quando o noivado foi anunciado. Por isso cada móvel tinha um acabamento especial.
Bernardo não estava em casa e sim na sua mercearia. Carlos deveria estar na mercearia
ajudando o pai, mas ele sempre dava um jeito de fugir e ir brincar em algum lugar.
Naquela tarde o
local escolhido foi o bosque. Mesmo estando frio, ele resolveu dar uma volta.
Andou, andou por horas, sem nem mesmo prestar atenção por onde andava. Na
verdade, ele estava seguindo o pequeno rio que cruzava a cidade e se perdia
dentro da mata. Quando chegou a uma parte do rio em que não havia muitas arvores
por perto e a grama era baixinha. Ele se sentou e ficou ali somente observando
o movimento da água. Depois de um tempo ele deitou e acabou adormecendo.
O sol já estava
se pondo quando Carlos acorda ouvindo passos entre os arbustos. Assustado, sem
ter ideia de quem poderia ser. Os passos pareciam estar mais perto e mais perto
e mais perto. Ele olhava atentamente ao seu redor tentando identificar qualquer
coisa que pudesse lhe dizer quem estava se aproximando. No fim das contas, ele
não corria perigo. Era Pedro. Outra criança da cidade e também seu amigo.
- Calma não vou
lhe fazer mal. – disse Pedro.
- Nossa! – disse
Carlos suspirando aliviado – Pensei que era outra pessoa. Você me assustou
Pedro. O que faz por aqui?
- Todas as
tardes eu caminho por aqui. E você?
- Vim fugir do
meu pai, eu não quero ficar lá na mercearia.
Os dois ficaram
ali conversando, brincando, por mais uma hora e meia. Mais ou menos isso. Os
dois voltaram para casa juntos. Já estava quase passando da hora do jantar
quando Carlos chegou em casa. Seus pais estavam muito preocupados, mas sabiam
que o filho era imprevisível assim como cuidadoso. Todos jantaram juntos. Sentados
à mesa, um costume muito comum e respeitado naquela época.
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